terça-feira, 16 de novembro de 2010

UM MESTRE

Artigo de Rubem Alves, colunista da Folha de S. Paulo ... "Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece", observou Nietzsche. É o meu caso. Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo. Por medo. Alberto Camus, leitor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora em que a coragem chega: "Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos". Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem. Vou dizer aquilo sobre o que me calei: "O povo unido jamais será vencido", é disso que eu tenho medo.Em tempos passados, invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o "povo" tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo. Não sei se foi bom negócio; o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de TV que o povo prefere. A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos.Na Bíblia, o povo e Deus andam sempre em direções opostas. Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha para que o povo, na planície, se entregasse à adoração de um bezerro de ouro. Voltando das alturas, Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os Dez Mandamentos. E a história do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras idéias. Amava a prostituição. Pulava de amante e amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão. Até que ela o abandonou. Passado muito tempo, Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos.E o que foi que viu? Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a e disse: "Agora você será minha para sempre.". Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus. Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta, mas sabia que ela não era confiável. O povo preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhe contavam mentiras. As mentiras são doces; a verdade é amarga. Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo dos romanos, o circo eram os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos! As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo. O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas. As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos. Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro "O Homem Moral e a Sociedade Imoral" observa que os indivíduos, isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se "responsáveis" por aquilo que fazem. Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas. Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival. Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo. Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói a democracia. Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado. O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão. Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras. O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade. Uma coisa é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham. Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo. Jesus foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás. Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária. Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar. O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer. O povo, unido, jamais será vencido! Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos. Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio; não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol. Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e a engolir sapos e a brincar de "boca-de-forno", à semelhança do que aconteceu na China. De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça, é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: "Caminhando e cantando e seguindo a canção.". Isso é tarefa para os artistas e educadores. O povo que amo não é uma realidade, é uma esperança. Rubem Alves

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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Palestra Interaviva - Perfil do Profissional De Uma Grande Organização

No dia 01 de setembro, nós recebemos a visita da Coordenadora de Recursos Humanos do Frigorífico Saudali, Maria Elisa Poleska, que realizou uma palestra interativa, para os alunos dos Cursos Técnicos de : Administração de Empresa, Gestão de Pequena Empresas e Secretariado e Assessoria.

O tema abordado foi o perfil de um profissional que quer interagir e permanecer em uma organização atual.

Inicialmente Maria Elisa, descreveu a história do Frigorífico Saudali, que tendo 10 anos de mercado já representa uma boa porcentagem da exportação nacional de carne suína e seus derivados, tendo Sérgio Reis como sócio e garoto propaganda.

Maria Elisa, afirmou que o fator interpessoal é decisivo nas contratações de profissionais e também em demissões, já teve que demitir profissionais de bom nível mas de dificil convivência.

Mau humor, arrogância, intriguento, são aspectos inadmissíveis em um bom profissional . Funcionário que conhece o serviço mas desconhece os princípios da boa convivência não serve a para sua empresa.

Vários conceitos já estudados , foram abordados de forma atrativa, permitindo os alunos posicionarem adequadamente no momento de colocar suas dúvidas, ocorrendo interação.

Houve um momento em que ela utilizou de uma fábula para fazer uma definição do perfil de bom profissional: Segundo ela, haveria uma festa em uma fazenda e a galinha e o porco, seriam os responsáveis pela organização. No momento de escolher o prato principal a galinha muito "esperta" escolheu bife a milanesa e foi logo oferecendo o OVO, cabendo ao porco oferecer o bife, mas para isto ele teria que dar a vida. Finalizou então dizendo que a empresa que ela trabalha aposta no "porco", quer dizer, em quem veste a camisa e dá o suor por ela.porque sem empresa sem emprego.

Foi também através da exposição deste tema que conhecemos um termo novo: CHA que caracteriza um bom profissional.Todo profissional tem que ter CHA. Competência, Habilidade e Atitude.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Oficina da comunicação não verbal Livro - O Corpo fala Autores -Pierre Weil e Roland Tompakow
Quem disse que um gesto vale mais que mil palavras, estava realmente inspirado.
Nossa corpo é um livro através de nossa expressão corporal, ele fala o que o consciente muitas vezes teme e quer esconder.
Mas para um bom observador, não temos segredos.
Tente observar o olhar de quem esta mentindo e terá a grande surpresa de ler isto no piscar constante e involuntário dos olhos.
A contração dos músculos laterias dos lábios, de acordo com a intensidade, determina o grau de tensão suportado.
As mãos espalmadas, viradas para cima é sinaliza um pedido ou aceitação.
Um sorriso em que os lábios formam uma linha reta, aponta para uma atitude de desdém, deboche e que se concorda da boca para fora. Pernas cruzadas com os pés virados para porta indicam pouca receptividade e prontidão para evadir do recinto ou da presença de quem é o interlocutor.
Quando se conversa com alguém que mantém o dorso levemente inclinado para frente, tome cuidado, isto é sinal de que a pessoa não respeita muito o espaço alheio, pode ser considerado um invasor.
Braços e pernas cruzadas são indicadores de prevenção, no primeiro momento vou escutar, depois... veremos.
Estas e outras informações são imprescíndiveis para quem deseja: construir uma carreira de sucesso,trabalhar com pessoas e relacionar melhor com as pessoas e manter uma relação de amizade sólida..
Este trabalho nos ensinou como "ler o que os outros dizem sem falar"., Tem melhorado nossa maneira de ver as pessoas e a nós mesmos
Mas o mais é que quando iniciamos começamos a nos perceber melhor, observando e fazendo em nós esta leitura.

terça-feira, 11 de maio de 2010

O Ideal e o Real

O Ideal e o Real Trabalhar com Tec, é um grande presente para mim que apesar dos 26 anos de magistério, acredito que a educação é referencial de mudança social é fator que possibilita a mobilidade na pirâmide sócio econômica em um país onde a divisão de riquezas chegaria a ser cômico se não fosse tão trágico. A perspectiva de poder participar de um projeto que mesmo em escala pequena vai contribuir para gerar e alimentar esperanças em um futuro melhor, proporcionando qualificação profissional a alunos já há muito excluídos ou marginalizados no mundo do trabalho e consequentemente no mundo social, dilatou meu ideal de educadora que acredita que a educação possibilita um mundo melhor, mais consciente, questionador e o que é mais importante REENVIDICADOR de seus direitos como cidadão e contribuinte mas também de seus deveres e compromisso,como indivíduo formador de uma sociedade que para se equilibrar precisa do equilíbrio de todos. Este poder de influenciar ideias apavora o poder que nisto se apoia e silenciosamente desvaloriza o profissional da educação na esperança de deixar as coisas como estão e nos muitas vezes caimos nesta armadilha e nos permitimos morrer ao deixar que matem nosso ideal transformador. O IDEAL seria que ao iniciarmos este projeto já possuíssemos uma estrutura e uma maior disponibilidade de tempo para planejar e estudar, mas o REAL é que tenho dificuldades com método, com o conteúdo, com a estrutura e funcionalidade do TEC, mas trabalho na busca de soluções para tudo isso,todos os dias, para que dê certo e dê gosto, porque quero que este caminho permaneça aberto para os outros aprendizes que virão atrás de nós. Assim peço permissão a Fernando Pessoa para utilizar suas palavras tão adequadas a este meu momento, " Pedras no caminho ... guardo todas, um dia construrei um castelo. Já aprendi com o Tec que o maior problema não é ter dificuldades, mas sim não procurar soluções que poderemos encontrar na participação das atividades do PFC, nos trabalhos postados de nossos colegas ou na comunicação direta com nossa Coordenadora. Estou consciente de que terei muito trabalho, mas com certeza serei muito mais útil.

COMPROMISSO

O que quero ver nos meus alunos, no PEP EJA e o que tenho oferecido a eles? Ofereço a eles meu respeito ao ser humano e meu amor ao trabalho, para que eles possam se respeitar mutuamente e se realizarem no que farão profissionalmente Minha dedicação ao que faço e paciência com as suas dificuldades, para que possam ser dedicados e pacientes com os que os rodeiam. Minha compreensão com os seus limites e o necessário estímulo para superá-los, para que não parem no meio do caminho. Minha INDIGNAÇÂO, para com o desdém pela vida humana, para que não tombe nenhuma. Minha alegria em aprender, para que sejam eternos construtores de seus conhecimentos. Minha Valorização a existência das diferenças, elas determinam que no fundo somos todos iguais. Minha repugnância ao cerceamento da liberdade, principalmente a de pensar, para que construam um mundo livre. Ofereço a minha crença de que chegarão lá. Poderá ser em tempo diferente, mas chegarão, para que continuem lutando pelo que acreditam. Minha garra na busca do aprimoramento profissional e humano, para que permaneçam na condição de eterno aprendiz. Minha capacidade de ouvir respeitosamente, para que se expressem livremente e sem medo. Minha capacidade de expressar com respeito para que pratiquem a audição respeitosa. Minha capacidade de sentir, para despertar neles a maravilha de reconhecer-se humano, frágil, mas com imensa capacidade de construção. Enfim ofereço meu comprometimento para com eles, para que eles se comprometam irremediavelmente com o mundo. Este é, o meu melhor. Por enquanto é o que posso fazer. Publicado em 19/11/2009 15:56 por SONIA ROBERTO NACIF SECRETARIA DE EDUCACAO DO ESTADO DE MINAS GERAIS - Perfil: Orientador